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A reedição do Édipo na adolescência


Na infância, é o complexo de Édipo que estrutura a cena fantasmática, organizando os lugares do pai, da mãe e do filho. É nessa estrutura familiar que serão transmitidos os lugares simbólicos do jogo edípico e somente se o sujeito infantil se assujeitar ao campo do Outro parental, é que poderá vir a ter um lugar discursivo. Portanto, a estrutura edípica montada na infância apontará para o lugar do sujeito no discurso social.

O desafio da adolescência será o de reconstruir a cena fantasmática que originou o complexo de Édipo na infância e a reedição da cena edípica apontará um caminho dúbio: sintoma e forma de gozo. É o momento no qual o fantasma vai se constituir como uma tentativa do movimento de alienação/separação do sujeito na relação com o Outro sexo.

Como operação psíquica, a adolescência é uma tentativa de enlace do real, do imaginário e do simbólico, sendo o sintoma, o quarto elo que sustentará, provisoriamente ou não, a posição discursiva, estabelecendo lugares para o desejo e o gozo.

O declínio da função paterna abre espaço para que o adolescente coloque outro adolescente/semelhante no lugar do suposto saber do Outro parental, fazendo que essa relação fraterna prevaleça à relação familiar. A estrutura familiar será despedaçada pelo adolescente e nesse momento, ele perceberá que “há um significante faltando no Outro” e que o semelhante é “aquele que poderá supri-lo de suas faltas”. Esse cenário, representa uma saída para a elaboração do mal-estar familiar, em que os pais se revelam como aqueles que não tem seus objetos de gozo.

A perda do objeto de amor infantil, levará o adolescente a buscar objetos da realidade que produzam prazeres, mesmo que parciais, uma vez que, com o tempo, ele perceberá que nenhum objeto da realidade o satisfará plenamente, pois não existe objeto que preencha a “falta ser”. É nesse momento que os sintomas podem se instalar, levando o adolescente a buscar, por exemplo, nas drogas e no álcool, a recriação do objeto perdido na infância.

Dentre os objetos de consumo dos adolescentes, estão os da exibição e os da delinquência.

Os objetos de exibições têm como funções permitir o reconhecimento do adolescente no grupo social e a sua diferenciação diante do mundo dos adultos, funcionando como construção do “objeto eu”, revelando algo de sua subjetividade e mascarando as inquietações sobre a identidade real do “objeto eu”.

Já os objetos da delinquência, que podem ser emprestados ou roubados, simbolizam a apropriação de uma insígnia do outro, uma marca ou traço que o adolescente ainda não tenha conseguido obter ou criar. No caso dos objetos de delinquência, estes representam tentativas de construir uma relação adulta com o objeto.

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